Cozinha autoral e intimista escondida no bairro Prado

Comandado pelo jovem casal de chefs Guilherme e Yzabella, o Righi Gastronomia recebe poucas pessoas por noite, apenas com reserva, em um aconchegante salão integrado à cozinha aberta.

As quintas-feiras são dedicadas ao menu degustação em nove etapas por R$290/pessoa. Já nas sextas-feiras, entra o formato Trattoria, focado em massas frescas artesanais em menus que incluem aperitivo, antepasti, pasta e dolci a R$190 ou com opção de mais um grelhado a R$250 no total.

 

Os outros dias da semana são dedicados aos eventos privados. O espaço funciona ainda como um empório sob demanda, produzindo pães de fermentação natural, antepastos e molhos.

Guilherme e Yzabella passaram uma temporada de dois anos na Europa e trabalharam em importantes restaurantes como o italiano Qafiz, na Calábria. Os pratos são autorais com inspiração na cozinha italiana aliada a insumos da Fazenda do Derrubado — propriedade que pertence à família do Guilherme há cinco gerações.

Cheio de histórias, ingredientes e detalhes, o menu dessa temporada, intitulado CAOS, começa com dois snacks: o espetinho de camarão com lardo, teriyaki, aioli de limão e agridoce de laranja e o niguiri de magret de pato, molho de jabuticaba com pimenta e torresmo.

Meu preferido da noite foi o ravioli chinês de carne de lata ao creme de castanha de caju e ponzu de limão capeta, que deu uma acidez deliciosa ao prato. Gostei também do linguine produzido na casa, ao creme de abobrinha, fonduta de Scala 12 meses, azeite de manjericão e pangrattato.

Dois pratos ousados foram o tartare e película de beterraba, pó de alcaparras, emulsão de laranja, homus de feijão e crocante de queijo

e o risoto de alici, gel e achoor de cajá-manga e pó de cebola queimada.

Inspirado no trabalho do agricultor Zé de Zico,

os tomates restantes do final da safra foram usados para fazer a colatura de tomate que acompanha dois diferentes bolinhos de traíra sem espinho, cozido no vapor e empanado no fubá.

A integração entre o mineiro e o italiano se mostra na porchetta de leitão recheada de linguiça, acompanhada de doce de mamão, sunomono, farofa de milho e glace com patê de fígado.

É chegada a hora das sobremesas, ponto alto da degustação, fruto da experiência em confeitaria que adquiriram na Itália. No formato da bandeira de Minas Gerais, aparece a combinação clássica de goiabada com queijo, o imperial do produtor Ivair.

Linda e elegante, a próxima sobremesa mescla culturas através da panna cotta de laranja com crocante de baru, crema pasticcera e caramelo salgado. Harmoniza com o vinho licoroso Cais Lágrima 6 anos da vinícola mineira Casa Geraldo.

Para a “hora do café” destaco o bombom de tiramissu, leve e com uma textura sensacional. Entremet e doce de leite e tartelete de broinha de fubá, ganache de capuccino e melado de cana são mais petit fours que encerram a experiência.

Com meu Croquete.

 

Righi na minha coluna de gastronomia do jornal Cidade Conecta BH

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Righi Gastronomia

Rua dos Pampas, 145, Prado, Belo Horizonte, MG, Brasil

instagram.com/righigastronomia