Grandes encontros e grandes vinhos

Localizada em Terricciola, na região das colinas de Pisa (Toscana), a Fattoria Fibbiano possui raízes históricas com um casarão datado de 1707. Em 1997, a propriedade foi adquirida por Giuseppe Cantoni e hoje é gerida por seus filhos Nicola e Matteo. A vinícola destaca-se pelo seu foco absoluto em variedades nativas toscanas e pela transição completa para a agricultura biológica/orgânica certificada, unindo tradições milenares à autossustentabilidade. Composto por sedimentos do período Plioceno, é um terreno de textura média extraordinariamente rico em fósseis marinhos, conchas e corais. Esse solo confere uma assinatura mineral e salina única às uvas.
Elaborado pelo Método Ancestral, pét-nat “In Fermento” da Fattoria Fibbiano é um espumante feito 100% da uva Vermentino colhida manualmente. Delicado, fresco e aromático.

A Quinta das Murgas, localizada na região de Bucelas (Lisboa), é um projeto vitivinícola familiar de apenas 12 hectares de vinhas predominantemente plantadas em solo calcário com presença de argila, o que proporciona excelente drenagem e mineralidade elegante e profunda aos vinhos. O Arinto é a casta rainha na região com seus aromas cítricos (limão, lima e toranja) e toques florais ou de maçã verde.

Fundada em 1822 por León de Argüeso y Argüeso em Sanlúcar de Barrameda (Cádiz, Espanha), a vinícola começou a partir da aquisição de soleras antigas e da histórica bodega San José. Ao longo de mais de dois séculos, a casa manteve processos quase artesanais de envelhecimento. Em 2016, a vinícola foi adquirida pelo empresário Francisco Yuste (das Bodegas Yuste), que assumiu o compromisso de preservar e valorizar esse riquíssimo patrimônio histórico e suas soleras fundacionais.
O Amontillado é um vinho único devido ao seu duplo processo de envelhecimento (misto). Ele nasce como uma Manzanilla, estagiando primeiro sob a proteção biológica do velo de flor. Posteriormente, a flor desaparece (pelo tempo ou por fortificação alcóolica adicional), dando início a uma longa fase de oxidação em barris de carvalho.
De extrema complexidade, apresenta notas marcantes de avelãs, nozes tostadas, ervas aromáticas, tabaco e toques salinos de brisa marítima. É totalmente seco e profundo, de acidez equilibrada, final longo, persistente e uma salinidade que remete ao sabor umami.

Fundado no século XIV, o Château Philippe le Hardi foi residência de Filipe, o Ousado (Philippe le Hardi), Duque da Borgonha. Em 1395, o Duque emitiu uma famosa ordenança proibindo a uva Gamay e determinando o cultivo exclusivo da Pinot Noir, moldando a identidade dos grandes vinhos da Borgonha. O domínio passou por séculos de história, modernizou-se com práticas sustentáveis e orgânicas (concluindo a certificação orgânica em 2024). São cerca de 96 a 98 hectares de vinhas que se estendem de Gevrey-Chambertin até Mercurey, com forte presença na Côte Chalonnaise. Produz cerca de 50 rótulos diferentes, divididos majoritariamente entre Pinot Noir (65%) e Chardonnay (35%).

Harmonizou com bochecha de porco ao vinho e batatas coradas, elaborado pelo meu sommelier preferido.

Fundada em 1986 pela família Álvarez (proprietária da icônica Vega Sicilia), a vinícola Alión nasceu com um propósito ousado: criar um vinho totalmente independente, com uma filosofia moderna, jovem e vanguardista. Enquanto a tradicional casa-mãe foca em longos e clássicos estágios de envelhecimento, a Alión surgiu para traduzir a expressão máxima e contemporânea da região, tornando-se rapidamente um ícone global e colecionador de altas notas da crítica. O vinho100% Tinto Fino (Tempranillo) é cultivado em 70 hectares de vinhas com média de 38 anos de idade, localizadas a 750 metros de altitude nas melhores áreas de Ribera del Duero (Padilla, Valbuena e Pesquera de Duero). Buquê aromático rico e complexo, destacando frutas vermelhas e negras maduras, notas florais, toques sutis de especiarias doces, tabaco, baunilha e grafite. Passou de 12 a 14 meses em barricas novas de carvalho (80% francês e 10% americano), além de uma parcela estagiada em tanques de concreto para preservar o frescor da fruta, seguidos por no mínimo 15 meses de repouso em garrafa antes de ir ao mercado. Taninos potentes.

Fundado em 1756, o Château Haut-Bergeron é gerido pela família Lamothe há mais de cinco gerações. A vinícola carrega uma ligação histórica fascinante com o lendário Château d’Yquem, já que parte de suas terras originais pertenceu ao Marquês de Lur-Saluces (antigo proprietário do d’Yquem). Foi justamente uma viagem do Marquês em 1847 que atrasou a colheita daquele ano, resultando na proliferação acidental da podridão nobre e consolidando o icônico estilo do vinho. Atualmente, a propriedade possui mais de 40 hectares de vinhas em processo de conversão orgânica.
O Sauternes do Château Haut-Bergeron é elaborado com um corte tradicional dominado por Sémillon (80% a 90%) e complementado por Sauvignon Blanc.
A colheita é feita de forma extremamente minuciosa e inteiramente manual, exigindo até 6 passagens (tries) pelos vinhedos para colher apenas os bagos perfeitamente atacados pelo fungo botrytis cinerea. O vinho estagia por cerca de 20 meses em barricas de carvalho francês (50% novas). Exibe uma belíssima cor dourada e brilhante. No nariz e na boca, revela frutas cristalizadas, damasco seco, mel, flor de laranjeira, abacaxi maduro e especiarias.

Sobre o prazer de receber em casa.

Charcutaria sagrada família, carpaccios de jiló com coentro, salmão com ovas de cavala e tomates com manjericão.
