Tesouro escondido em Petrópolis

No caminho para a capital carioca, vale a pena fazer uma parada estratégica no mais aclamado restaurante da Serra Fluminense.

Lydia Gonzalez foca na cozinha de produto com um enorme carinho, dedicação e respeito pelos pequenos produtores da região.

O Angá Ateliê Culinário completará uma década no ano que vem. A casa comporta poucas pessoas e oferece um memorável menu de seis etapas a R$360, aos finais de semana, estritamente sob reserva.

Eu poderia passar a noite inteira só beliscando as deliciosidades do couvert. Sou apaixonada pelo jiló em compota com banana passa, sempre presente nos menus.

Outro espetáculo é o patê de fígado com figo fresco, perfeito com os pães de fermentação natural – focaccia, pão de cúrcuma do jardim com semente de abóbora e pão de puba (mandioca fermentada). Os pães são excelentes e vale ainda experimentar puro, com manteiga queimada e com o fresquíssimo azeite da variedade de azeitona Arbequina, do produtor Terroir, extraído esse ano.
O queijo selecionado da vez é o Queijo Sapucaia, fabricado em Valença/RJ, pelo produtor Capril do Lago. O queijo de cabra desenvolve mofo por fungos do próprio terroir fluminense, já que é curado dentro das cuias da Sapucaia, árvore nativa da Mata Atlântica. Ao lado vem a rapadura do Quilombo Boa Esperança, em Areal/RJ, receita tradicional produzida há mais de 100 anos pela família do Celso Fonseca.

Feito na brasa, o repolho ganha camadas de sabor, regado por iogurte queimado e um um fio de mel de abelhas nativas Uruçu Amarela. A crocância vem das nozes pecan e da broa de milho crioulo.

O cremoso bobó de lagostim recebe uma fina fatia de lardo de Pirapitinga, raça suína crioula brasileira. O generoso crustáceo acompanha ainda uma espuma de palmito pupunha, trazendo ainda mais delicadeza ao prato.

Rodeada por sua glace, a barriga de porco recebe o toque doce da compota de mamão verde com jiló, acelga e mangarito – raiz nativa brasileira, símbolo da biodiversidade alimentar e do resgate de saberes tradicionais.

Mangarito, originário das matas do Sudeste e do Cerrado é cultivada desde os tempos indigenas. Parente do inhame e do taro, ele era presença constante nas roças e quintais antes de quase desaparecer com a modernização agricola. Com sabor delicado e textura cremosa carrega memórias perdidas do tempo onde se comia o que a terra dava. Esse veio da Fazenda Pirapitinga.

Duas elegantes sobremesas enceram a noite: sorvete de milho doce com açafrão e limão siciliano

e um creme de banana com merengue de mel, missô e biscoito de araruta.

Lydia e Bruno, braço direito. Que noite especial!

Com meu Croquete!

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Angá Ateliê Culinário na minha coluna de gastronomia do Cidade Conecta.
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Angá Ateliê Culinário
Rua Argentina, 393, Nogueira, Petrópolis, RJ, Brasil
instagram.com/angaatelieculinario