Champagne Perrier-Jouët: um brinde à natureza e à arte

No coração de Epernay, na lendária Avenue de Champagne — Patrimônio Mundial da UNESCO —, encontra-se a maior coleção particular de Art Nouveau da Europa.

Mais de 300 obras de arte de valor inestimável, incluindo peças de grandes artistas franceses como Louis Majorelle, Hector Guimard e Auguste Rodin, podem ser admiradas durante a visita na Marison Belle Epoque.

A Mesa da Libélula, esculpida pelo mestre vidreiro e marceneiro Émile Gallé, reflete simbolicamente a fragilidade da natureza e como a aproximação e intervenção humana provocam impactos no meio ambiente.

Uma coleção de taças vintage enfeita o bar, decorado com centenas de discos de vidro de Murano suspensos no teto, obra da artista japonesa Ritsue Mishima.

Fundada pelo casal Pierre-Nicolas Perrier e Rose-Adélaïde Jouët em 1811, a vinícola Perrier-Jouët tornou-se mundialmente famosa pelas garrafas adornadas por anêmonas-brancas. Pierre-Nicolas era botânico, e o filho do casal, Charles Perrier, cultivou mais de 900 espécies de flores e árvores na propriedade. O respeito pela natureza e o cultivo sustentável dos vinhedos tornaram-se pilares da identidade da Perrier-Jouët.

Para celebrar essa profunda ligação com a natureza e com o movimento Art Nouveau, a Perrier-Jouët encomendou ao mestre vidreiro Émile Gallé, em 1902, o desenho de uma garrafa exclusiva. Gallé pintou à mão um delicado ramo de anêmonas-japonesas brancas entrelaçadas por arabescos dourados. A criação era tão inovadora e transgressora para a época que permaneceu guardada nos arquivos da Maison por mais de seis décadas, até ser oficialmente lançada como o rótulo do prestigiado Champagne Belle Epoque, em 1969.

A propriedade, antes restrita a convidados, foi recentemente aberta ao público por meio da Belle Epoque Society, oferecendo uma experiência imersiva que une arte, história, champanhe e alta gastronomia.

O menu é assinado pelo chef três estrelas Pierre Gagnaire e executado pelo chef residente Sébastien Morellon, com harmonização dos prestigiados rótulos da Perrier-Jouët. A chef de cave Séverine Frerson preserva o estilo floral característico da Maison, privilegiando a elegância, a complexidade e a predominância da uva Chardonnay, sempre em busca do equilíbrio entre arte e natureza.

A delicadeza da cozinha revela-se desde as primeiras etapas do menu. Um dos destaques foi o carpaccio de gras de seiche com crudo de peixe branco, marinière de coques e rabanetes. O gras de seiche corresponde à gordura da sépia — molusco do mesmo grupo das lulas e dos polvos —, ingrediente valorizado na alta gastronomia por conferir sabor intenso e uma textura extremamente delicada. Já a marinière de coques é uma preparação clássica da culinária litorânea francesa, em que berbigões são cozidos rapidamente no vapor com vinho branco — neste caso, o Perrier-Jouët Blanc de Blancs, o mesmo champanhe que inaugurou o memorável almoço. Essa primeira etapa da harmonização incluiu ainda caviar Oscietra e caranguejo servido com algas selvagens da costa de Le Croisic.

Crudo de daurade royale / carpaccio de gras de seiche, marinière de coques au Champagne Perrier-Jouët Blanc de Blancs, jeunes radis.
Geles de bœuf ambrée, algues sauvages des côtes du Croisic, chair de tourteau.
Caviar osciètre / perles du Japon à l’encre, crème épaisse Mimosa ;
Sirop de betterave rouge.
Elaborado com 100% de uvas Chardonnay provenientes de terroirs como Cramant e Avize, o Perrier-Jouët Belle Epoque Blanc de Blancs 2017 é sedoso, fresco e exala aromas de flores brancas, raspas de limão e amêndoas. Harmonizou perfeitamente com aspargos brancos, texturas de cenoura e ravioli recheado com ricota. Como acompanhamento, foi servido o clássico Velouté Argenteuil, um creme aveludado de aspargos originário da cidade francesa de Argenteuil, historicamente famosa pelo cultivo desse vegetal.

Pointe d’asperge blanche, carotte fane au suc de carottes, raviole de ricotta.
Velouté Argenteuil.
Mescla de Chardonnay, Pinot Noir e um pequeno percentual de Pinot Meunier, o Perrier-Jouët Belle Epoque Brut 2015 apresenta mais corpo e intensidade frutada do que o Blanc de Blancs.

Apreciamos com o filé de linguado de pesca artesanal, escalfado em manteiga e coberto por um véu de yuzu, acompanhado dos típicos cogumelos silvestres morilles e folhas de azedinha.

Blanc de turbot de ligne poché dans un beurre fondu, voilé de yuzu ;
Morilles fraîches à l’oseille.
Notas de frutas vermelhas combinadas com flor de laranjeira destacam-se no Perrier-Jouët Belle Epoque Rosé 2014, harmonizado com lombo de vitela aromatizado com especiarias como ajowan e alcaravia, deglaçado com suco de laranja e servido com folhas frescas e berinjela Stiletto acompanhada de polpa de tomate confit.

Noix de filet de veau frottée d’ajowan et de carvi, rôtie au sautoir, déglacée d’un suc d’orange sanguine – Feuille de laitue, aubergine Stiletto.
Friselli de pommes de terre, pulpe de tomates confites.
O champagne rosé casou muito bem também com a Macaronade aux fraises, uma sobremesa sofisticada composta por uma base de macaron crocante por fora e macia por dentro, coberta com creme sedoso de chantilly, morangos frescos e finalizada com creme infusionado em açafrão.

Macaronade aux fraises, crème paresseuse safranée.

Biscuit chocolat Rio.
Entre flores, obras de arte e taças impecavelmente harmonizadas, a Maison Belle Epoque prova que o verdadeiro luxo está na delicadeza dos detalhes e no tempo dedicado à sua criação.

Maison Belle Epoque by Perrier-Jouet na minha coluna de gastronomia do Jornal Cidade Conecta
,
Maison Belle Epoque by Perrier-Jouët
11 Av. de Champagne, Épernay, França