Carolina e Pedro apresentam pratos contemporâneos com simplicidade e maestria
Riuga é a pronúncia da palavra dinamarquesa Hygge, que traduz um estilo de vida focado no aconchego, bem-estar e na apreciação dos pequenos prazeres. Na Dinamarca, é a arte de criar um clima intimista e acolhedor, em busca de momentos prazerosos como o de apreciar uma boa refeição. Foi o que o casal de chefs transmitiu ao restaurante Casa Riuga, inaugurado há pouco mais de um ano na Savassi. Inquietos, já estão na fase final de abertura de mais um projeto, o Riu, bar exatamente ao lado, que vai funcionar com um cardápio diferente e também como fila de espera.

Pedro Paulo é paulista e passou por cozinhas de renome como Tuju, Corrutela, Dalva e Dito, em São Paulo. No exterior trabalhou no restaurante 108 do grupo NOMA, em Copenhagen, e no Fäviken Magasinet, na Suécia.
Carolina Elias é mineira e formou-se pela Le Cordon Bleu São Paulo, escola reconhecida internacionalmente como uma das mais prestigiadas instituições de ensino culinário do mundo. Na capital paulistana, ganhou experiência em restaurantes de destaque como Nelita e Cais, onde conheceu Pedro Paulo e de lá trabalharam mais uma vez juntos no Shihoma.

Da plena sinergia entre o casal surgiu a certeza de abrirem o próprio empreendimento gastronômico em Belo Horizonte. O ambiente interno tem apenas 27 lugares, somados a mais 10 em dias não chuvosos. No cardápio 14 pratos são divididos entre frios, vegetais, grelha e sobremesas, não necessariamente rotulados como entradas ou pratos principais. A proposta é montar e compartilhar suas próprias escolhas.

O fresquíssimo crudo de atum tem um suave toque de pimenta fermentada (R$55). Antes de ser cortado em finas fatias, o rosbife é curado com especiarias e disposto sobre uma camada de semente de mostarda e finalizado com salada de salsinha e castanha de baru (R$59).

Para acompanhar esses dois pratos a sugestão é pedir a focaccia de fermentação natural, tostada na brasa, apreciada também com manteiga noisette e azeite balsâmico (R$36).

Uma das melhores surpresas foi o repolho tostado, que vem lambuzado por uma deliciosa emulsão de alho negro e salteado com crocante de abóbora fermentada (R$45).

Mais um prato cheio de umami, os diversos cogumelos frescos foram cobertos por um potente creme de queijo com pontinhos crocantes de trigo sarraceno frito (R$48).

Salteado na manteiga de ervas, os camarões chegam na mesa com rabo, patinhas e cabeça limpa, bastante alho poró e cebolinha (R$72).

Finalizamos com a sobremesa do dia, uma torta a base de cacau (R$35).

Com certeza voltarei para experimentar todos os outros pratos do cardápio, bem provável de serem igualmente deliciosos. Uma cozinha de técnica e produto, que coloca o ingrediente de no centro da experiência, utilizando métodos precisos para realçar o sabor original, a textura e a essência de cada insumo.
A carta de vinhos é majoritariamente da importadora Liber Wines. Escolhi o português da região do Dão, Fonte Sagrada Tinto 2015 (R$152), produzido pela Caves Campelo. Composto pelas típicas castas portuguesas, 40% Touriga Nacional, 30% Tinta Roriz e 30% Jaen. É um vinho macio e bem equilibrado, cheio de frutas vermelhas maduras e um acentuado de cereja delicioso.

Noite maravilhosa com a Lu e a Dany.

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Casa Riuga na minha coluna de gastronomia do jornal Cidade Conecta.
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Casa Riuga
Rua Cláudio Manoel, 1124, Savassi, Belo Horizonte, MG, Brasil