Château-Chalon, L’Étoile, Arbois e Crémant du Jura expressam a qualidade sui generis dos vinhos franceses

Viajar pela região de Jura foi uma experiência inesquecível. Ter a oportunidade de conversar com os produtores, visitar os vinhedos, as caves centenárias, conhecer in loco cada detalhe do terroir e da vinificação de um dos vinhos mais singulares da França foi realmente muito especial. 

De lá saem vinhos únicos e raros, elaborados por métodos específicos e castas nativas. As uvas tintas Poulsard e Trousseau e a branca Savagnin são quase que exclusivas da região de Jura, acompanhadas pelas variedades clássicas da Borgonha, a Chardonnay e a Pinot Noir.

Sete denominações de controle e qualidade (AOC – “Appellation d’Origine Contrôlée”) garantem a autenticidade dos vinhos de Jura.

Côtes du Jura é a mais ampla AOC e produz todos os diferentes tipos de vinho, assim como a AOC Arbois, nome também da capital dos vinhos de Jura, a cidade onde viveu o cientista Louis Pasteur. 

Crémant du Jura é a denominação dedicada aos espumantes enquanto Macvin aborda o vinho licoroso e Marc du Jura regula produção da aguardente de bagaço de uva.

AOC L’Étoile refere-se a uma pequena área de 67 hectares especializada em Chardonnay no estilo oxidativo além do doce Vin de Paille e o aclamado Vin Jaune. Em seus solos são encontrados inúmeros fósseis da família dos ouriços e estrelas-do-mar, que dão origem às rochas calcárias, ideais para o cultivo da Chardonnay.

O destaque da região vai para Château-Chalon, a menor AOC de Jura com apenas 50 hectares, denominação de grande prestígio, que produz o inigualável Vin Jaune, exclusivamente a partir da Savagnin, colhida tardiamente, apenas nos melhores anos, sob rígidas regras de controle de qualidade.

Por lei, o vinho deve amadurecer por pelo menos 6 anos e 3 meses em barricas de carvalho de 228 litros pelo método “sous voile”, ou sob o véu, uma camada de leveduras nativas que se forma na superfície do vinho e o protege do contato direto com o oxigênio, porém permite uma oxidação lenta e controlada.

Ao longo dos anos desenvolve-se um vinho de complexidade e profundidade incomparáveis. Sua cor amarelo-dourado, se intensifica com o passar dos anos, assim como as notas especialmente de nozes, frutas secas e especiarias como curry, canela, noz-moscada, além de um elegante toque salino e esplêndida acidez.

Os Vins Jaunes são engarrafados nas típicas garrafas arredondadas denominadas clavelins, de 620 ml, quantidade que representa o volume de vinho que resta de um litro original após o longo período de envelhecimento em barril, sem o preenchimento da parte evaporada. O potencial de guarda é de 50 a 100 anos.

Em solos compostos de margas azuis ou cinzentas da era jurássica cobertos por cascalho calcário a variedade Savagnin encontra o melhor terroir para ser cultivada, típico de Chateau-Chalon.

Com o meu sommelier preferido!

Visitamos quatro produtores:

Domaine Macle

Domaine Berthet-Bondet

Domaine Jacques Tissot

Domaine Rolet

Jura e seus vinhos únicos na minha coluna de gastronomia do Cidade Conecta.