Syrah, a variedade que melhor se adaptou ao terroir mineiro, ganha diferentes estilos em São Gonçalo do Sapucaí

Há 10 anos, o empresário Guilherme Bernardes iniciou o plantio de apenas 1 hectare de uvas Syrah e Sauvignon Blanc em São Gonçalo do Sapucaí/MG. Seu intuito era fazer vinhos para consumo próprio, mas o plano tomou proporções bem maiores. Certo de que seu vinho estava em um elevado padrão, resolveu enviar as garrafas para concursos internacionais para que pudessem ser avaliadas por especialistas.
O resultado foi diversas premiações, inclusive internacionais como Wine Entusiast, Syrah du Monde, Decanter e Mondial Bruxelles, desde a safra de 2018, ano em que contava com 3 hectares de parreiral. Hoje o vinhedo expandiu para 18 hectares, sob supervisão da respeitada enóloga Isabela Peregrino e cuidados do engenheiro agrônomo Gustavo Novais. A meta é chegar a 23 hectares no máximo, para que a vinícola permaneça com o status de boutique – uma produção em pequena escala, focado na alta qualidade, através de métodos mais artesanais.

Como a vinificação acontece na própria vinícola, a uva colhida vai direto para a produção, não sofre com problemas de fermentação precoce ao longo do caminho. Outro ponto é que a Barbara Heliodora tem o privilégio de colher em 7 ou 8 momentos diferentes, o que possibilita obter uvas em diferentes estágios de maturação. Além de ser um laboratório de testes, os vinhos podem ser feitos em variados estilos e camadas.

Exemplo perceptível na taça é o Syrah Léger (R$138), mais leve que o Syrah Clássico (R$176). “É um vinho tinto para se beber um pouco mais resfriado, abaixo de 10 graus. Tem apenas 12,6 de teor alcoólico, mais fresco e mais frutado, que combina com o verão. Demoramos três anos para desenvolver esse vinho. Se colhemos mais cedo, o vinho fica sem corpo, com acidez muito alta e aromas reduzidos. Por outro lado, se deixamos a uva amadurecer um pouco mais, chegamos na linha do nosso Syrah Clássico. O resultado foi um blend de diferentes momentos de colheita,” comenta Guilherme Bernardes.

Já o Syrah Cuvée (R$183) reúne três safras excepcionais (2021, 2022 e 2023) dentro da mesma garrafa. Apresenta corpo médio, taninos sedosos e acidez equilibrada, sem passagem por madeira, surpreendentemente. “Especializamos na variedade Syrah e fizemos os vinhos com diversas nuances, colhemos em datas distintas, deixamos macerar mais ou menos, escolhemos determinadas parcelas para determinadas garrafas, usamos barricas Ermitage e François Frères”, explica o proprietário sobre sua paixão pelas várias possibilidades de vinificação com uma mesma casta.

A grande ousadia desse ano foi o Syrah Sauvage 2024, o primeiro vinho de fermentação natural, feito apenas com leveduras selvagens, um microlote de 120 garrafas. O próximo passo é contratar uma empresa francesa que vai encapsular essa levedura encontrada no ambiente, com identidade Bárbara Heliodora. “Quero destacar o terroir, mostrar um vinho feito com a menor intervenção possível”, se orgulha Guilherme Bernardes.

Variedades como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot estão sendo testadas e já foram engarrafas em lotes limitados. Esse ano ainda terá colheita de Chardonnay e Pinot Noir, provenientes de um vinhedo de Caldas/MG, direcionada para a elaboração do primeiro espumante Bárbara Heliodora.

Aprecie uma taça do Syrah Classico (R$62) no restaurante Gero do Hotel Fasano ou quem sabe uma garrafa do Syrah Gran Reserva (R$440), que harmoniza com a coxa de pato ao molho de mostarda e polenta cremosa (R$175).

Não resisto ao tiramissu do Gero.

Almoço com Dulce Ribeiro, Denise Bernardes Guilherme Bernardes, Massimo Battaglini, Ivo Faria, Cantídio Lanna

Dulce, a dama do vinho mineiro.

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Vinícola Bárbara Eliodora na minha coluna de gastronomia do Cidade Conecta.
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Vinícola Bárbara Eliodora
Rodovia Fernão Dias, km 788, Norte CX Postal 26, São Gonçalo do Sapucaí, MG, Brasil
vinicolabarbaraeliodora.com.br .