Pacato celebra quatro anos com jantar especial comandado por mulheres

 

O protagonismo feminino na construção da culinária mineira, brasileira e latino-americana foi a essência da comemoração do quarto aniversário do Pacato. O chef Caio Soter destaca que “Hoje temos uma equipe majoritariamente feminina na cozinha do Pacato, que aconteceu de uma forma natural. Nessa noite elas são as estrelas, uma homenagem às avós, mães e tias que alimentam suas famílias. Nossas subchefs Thamires e Helena, ao lado das maitresses Del e Poliana, recebem grandes nomes da gastronomia, como Janaína Torres, eleita Melhor Chef do Mundo pelo 50 Best e Marsia Taha, premiada Melhor Chef da América Latina pelo mesmo ranking, além da querida Ana Gabi Costa, destaque em Belo Horizonte, à frente do restaurante Trintaeum, Bar Coreto e Broa Café.” O menu degustação em 8 tempos (R$545) mostrou um pouco do trabalho memorável de cada uma das cozinheiras.

Ana Gabi levou um prato aparentemente simples, construído a partir de três ingredientes comuns – carne de boi, mandioca e nata – porém cheios de camadas. De características semelhantes ao filé mignon, o peixinho é extraído do dianteiro do boi. Macio e no ponto perfeito, o corte Angus foi servido com purê de mandioca frito, em formato triangular e um molho espetacular. “Meu molho de nata fresca é feito com cebola, manteiga, cachaça amburana para dar uma profundidade de sabor e o toque especial do shoyu artesanal da Santêra Fermentados, produtor artesanal de Rio Acima, que trabalha com inoculação com koji,” revela a chef Ana Gabi sobre o prato que eu mais gostei na noite.

Ela brilhou também na sobremesa: gelado de queijo de cabra, doce de leite de ovelha, jabuticaba e castanha de pequi. Em seu restaurante Trintaeum, as sobremesas recebem a mesma dedicação dada aos pratos salgados.

Janaína Torres surpreendeu com um consommé de banana, derramado por cima de delicados capelettis recheados de galinha caipira e de milho verde.

Seu outro prato me lembrou uma canjiquinha enriquecida com bacon e tucupi, finalizado com um baita camarão. Foi no Pacato que Janaína conheceu o Projeto Crioulo e faz questão de elaborar pratos com o milho crioulo para apresenta-lo nos vários eventos de gastronomia pelo mundo.

Marsia Taha trouxe sabores bolivianos de seu restaurante em La Paz, focado na cozinha amazônica. Seu pirarucu foi envolvido por um chimichurri de ajíes amazônicos, ao lado de um aveludado purê de inhame, lindamente decorado com sementes, flores e brotos. Achei interessantíssima a combinação de cordeiro e mamão verde que ela criou no mais delicioso snack da noite.

Thamires e Helena marcaram presença em mais outros ótimos snacks. Em um canudinho de casquinha bem fina, Helena preparou um recheio cremoso de requeijão, milho e ora-pro-nobis. Já Thamires fez um mini sanduíche de porco, pequi e maxixe. Teve ainda o bife à cavalo da Janaína, transformado em uma bocada só, e a mescla do adocicado da abóbora e amendoim com o presunto cru no snack da Ana Gabi.

Del Oliveira apresentou muito bem os vinhos sugeridos para harmonização (R$230,60), dentre eles o mineiro Cria Chardonnay da enóloga e viticultora Isabela Peregrino, referência do cenário de vinhos em Minas Gerais.

Vinhos bolivianos da Uvairenda, vinícola boutique localizada no Vale de Samaipata levam o nome 1750 em referência a altitude dos vinhedos plantados no alto de uma colina. Degustamos o Trivarietal das castas Ruby Cabernet, Malbec, Merlot e o Gran Reserva Cabernet Sauvignon.

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Maestras da cozinha na minha coluna de gastronomia do jornal Cidade Conecta.

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Mais Degustatividade no Pacato.

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Pacato

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